Fim de ano: moderação com informação é a chave para o consumo consciente de álcool

Artigo

Postado em 16 de dezembro de 2020

2020 está terminando e as celebrações prometem ser restritas e tendem a ter um significado mais especial e íntimo para muitas famílias.   

Nesta época de final de ano, Natal e Réveillon, a bebida alcoólica costuma estar presente para selar o brinde que carrega nossas esperanças em dias melhores. Esse ritual de passagem é uma tradição cultural e milenar. 

Adultos saudáveis que desejam consumir bebidas alcoólicas nessas ocasiões devem ter a moderação em mente para garantir o consumo responsável

Infelizmente, muitos mitos ainda rondam as bebidas alcoólicas, por isso é tão importante esclarecer alguns pontos. Um deles é a de que existem bebidas fortes e fracas. Isso é um erro. Quem bebe 330 ml de cerveja ou 100 ml de vinho ou 30 ml de uísque está ingerindo a mesma quantidade absoluta de álcool: 10 gramas. Não há bebida mais forte ou fraca. O álcool é o mesmo para todas elas. Álcool é álcool! E por isso qualquer bebida que contenha álcool é uma bebida alcoólica e o que precisa ser observado é a quantidade consumida. 

No Brasil, legisladores ainda acreditam que “bebidas mais fortes” devem pagar mais impostos, como forma de reduzir o seu consumo. Como se o uísque, por exemplo, fosse uma bebida “mais forte” do que a cerveja. Não é verdade. O que importa é a quantidade de álcool absoluto ingerida, seja qual for a bebida. Quatro latinhas de cerveja têm o dobro de álcool em relação a duas doses de 30 ml de uísque. Qual é a bebida mais forte?  

Esse tipo de concepção equivocada sobre “bebidas fortes e fracas” provoca danos inesperados para a sociedade, entre eles o aumento do mercado ilegal de bebidas destiladas e a criminalidade, uma vez que os impostos são mais altos para as “bebidas fortes” e acabam por estimular o comércio de bebidas ilegais, que chegam a ser 70% mais baratas que as oficiais. 

Os destilados são os que mais sofrem com esse “achismo” entre bebidas fortes e fracas. Em 2015, o segmento foi impactado com uma elevação de até 30% na sua carga tributária. A sobretaxação, além de não reduzir o consumo nocivo de álcool, tem um efeito colateral devastador: incentiva o mercado ilegal de bebidas. Em 2017, quase 30% de todo o álcool destilado circulante no país era ilícito. Com a pandemia, este número subiu 10,1% e já beira os 40%. A evasão fiscal do mercado ilegal tirou, só em 2017, R$ 5,5 bilhões dos cofres do governo – recursos que pagariam 9 milhões de auxílios emergenciais. 

E o mais grave: o álcool ilícito pode matar. Bebidas ilegais não passam por inspeções sanitárias e não seguem regras de produção. Até álcool impróprio para o consumo humano, como o metanol, pode ser utilizado na fabricação ilegal dessas bebidas. Os prejuízos à saúde são incalculáveis.  

A percepção de que existem bebidas fortes e fracas também joga contra a moderação no consumo de álcool. A pessoa acha que, ao consumir uma “bebida fraca”, está ingerindo menos álcool. Como já vimos, isso não é verdade. A moderação requer, sobretudo, quantificar a própria ingestão absoluta de álcool. Nesse sentido, a dose padrão é uma medida prática e eficaz.  

Para a OMS, dose padrão é o “volume de álcool que contém aproximadamente a mesma quantidade em gramas de etanol, para qualquer tipo de bebida”, como no exemplo que está no início deste artigo. Saber, de fato, o quanto de álcool está indo para o organismo é a melhor maneira de regular o próprio consumo, com consciência.   

Entender que álcool é álcool é crucial para corrigir distorções nascidas da crença na diferença entre as bebidas. A reforma tributária é a oportunidade para desmanchar esse mito e barrar o avanço do mercado ilegal e da criminalidade. Não há lógica em diferenciar as alíquotas de imposto que incidem sobre as bebidas se todas elas possuem o mesmo álcool.  

A desinformação que está na origem deste equívoco tributário e gera um efeito nocivo em cadeia tem de ser combatida. Álcool é álcool. Se o consumo de bebidas deve ser consciente, que a legislação seja responsável.  

Esclarecer que álcool é álcool e que não existem bebidas fortes e fracas muda tudo. E muda para melhor. Nas festas de fim de ano, seja qual bebida estiver consumindo, faça suas escolhas com informação e moderação.